quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Artesanato da Amazônia

Animais da Amazônia

O título sugere que estejamos falando do artesanato de uma cidade ou região do país mas, na verdade, esse é um trabalho tão especial e tão claramente definido que o criador nomeia a forma de fazer. Isto mesmo. José Alcântara criou um jeito de ver e refazer os bichos da floresta Amazônica e multiplicou esse fazer com seus filhos tendo hoje diversos alunos que absorvem os conhecimentos do mestre realizando e assinando com seus próprios nomes centenas de verdadeiros "alcântaras". Entre os 6 e 10 anos, Alcântara ajudou a fazer e fez canoas de madeira chegando a usar muitas delas para cruzar os igarapés da região. Depois disso, muitas coisas aconteceram na sua vida. Trabalhou como pedreiro, motorista de táxi, mecânico, pintor (ainda de carro) e, nessa busca por identidade, acabou tornando-se marceneiro. Na pequena marcenaria em Manaus, pela qual foi contratado para pintar móveis laqueados em degradê, acabou achando seu caminho. sentiu falta de alguma coisa. Achou que poderia acrescentar um detalhe, uma tira de madeira com algumas folhas entalhadas, lembrando a arte que aprendeu com os barcos da infância. O sucesso veio fácil, todos queriam móveis entalhados. Entre formões e goivas, foi pegando o jeito, até que, novamente, o acaso desenhou definitivamente o caminho do artista. Vendo um cisne de louça de sua mãe, resolveu copiá-lo em madeira. Mantendo as proporções e recriando os detalhes, sem esquecer os dotes de pintor que aprendeu nos automóveis, conclui seu primeiro bicho, que ele não vende, não dá e guarda até hoje na casa de sua mãe.
Estudanto a anatomia de centenas de gatos, seus movimentos, e observando onças "sem chegar muito perto", Alcântara começou a esculpir a sua marca registrada. Sempre em madeira bruta, sem qualquer emenda, começou a dar vida primeiro aos felinos amazônicos e, depois, seus peixes cotias, antas, cobras, jacarés, tucanos, araras, com uma infinidade de propostas de tamanhos, movimentos e situações. Para os bigodes dos bichos, usa bigodes de gato que os meninos de Manaus levam para ele. O brilho dos olhos, que parecem vidro, é outro segredinho de sua técnica. Usa uma mistura de resinas e colas para chegar ao resultado. E o que se vê é impressionante. Hoje, Alcântara trabalha principalmente com seus filhos Joe, Jean e James que já assinam seus trabalhos, que têm a mesma qualidade que os do pai. As peças da família estão espalhadas em todo o planeta, em museus e coleções particulares. Além do perfeccionismo na sua execução, representam o simbólico do desenvolvimento de um artista que, após buscar tantos caminhos diferentes, foi encontrar nas suas origens uma maneira particular de mostrar um pouco da Amazônia.


















Cleber Papa/Fotós Leonide Príncipe
Informações sobre o artesanato: arteemter@gmail.com 

domingo, 24 de janeiro de 2010

Artesanato de Taubaté - São Paulo

Figureiras de Taubaté, tipos, costumes e temas religiosos

As Figureiras de Taubaté são assim denominadas por serem mulheres. Estas mulheres são exímias na arte de esculpir em barro cru obras que espelham o cotidiano da vida do interior com seus usos, tipos,costumes e temas religiosos. Os trabalhos de modelar pequenas figuras iniciaram-se através dos frades franciscanos do Convento de Santa Clara, no século XVII, que encomendavam às mulheres, por ocasião das festas natalinas, a confecção de presépios com cenas relativas ao nascimento de Jesus: o Estábulo de Belém, a Manjedoura, São José, Nossa Senhora, os Reis Magos, a Estrela e os animais-burrico, boi, vaca, carneiro etc. Com o tempo, com muita criatividade, sensibilidade e humor, as figureiras passaram a espelhar em seus trabalhos outros temas.
Novos personagens surgiram representados por pequenas figuras sempre bem coloridas, com dimensões entre 3 e 25 cm, retratando o cotidiano, as profissões, as festas religiosas, os animais e o imaginário popular. São Francisco com os pássaros, Nossa Senhora das Flores, Nossa Senhora de Aparecida, e muitas outras figuras.Uma das características do trabalho de todas as figureiras são as cores vibrantes das peças. Aplicam muito um azul de tom forte, amarelo, verde, branco, preto, vermelho, prateado, dourado, etc.
Os principais tipos e cenas abordados pelas figureiras são: O Pavão, também chamado Galinho do Céu, sob várias formas e sua Chuva. A Galinha d'Angola sozinha e na forma de chuva, Arca de Noé, os tipos regionais-lavadeiras, passadeiras, jardineiros, lenhadores, vendedores de galinha, mulher alimentando as galinhas com milho, mulher socando o pilão, preta velha, pescador, violeiro, pedreiro, sanfoneiros, palhaço, carro de boi; os animais- bois, carneiros, raposas, beija-flores, burrinho, galo, galinha, pavão, onça, joaninha e muitos outros; as danças típicas-quadrilha, bumba meu boi, da fita, grupos de Moçambique, roda de jongo, congadas, a folia do divino e dos reis;os Santos-Nossa Senhora das Flores, Nossa Senhora da Aparecida,  Sagrada Família e presépios apresentados com variados componentes e formas.


Pavão - Símbolo do folclore de Taubaté. (frente)


(costas)


O Pavão,  como símbolo do folclore de Taubaté, 
inicialmente tinha como cor predominante o
azul mas, atualmente, é decorado também com
 as cores-vermelho, branco etc




A Galinha d'Angola (chuva)


 Chuvas





























Informações: arteemter@gmail.com

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Toy Art

Expo Rhino Ecko Toy Art

Rinocerontes no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura). Serão 22 toys arts, de diversos artistas do país, que estarão expostos no museu para visitação e admiração. Uma ótima oportunidade para criadores e admiradores do movimento, que cresce a cada dia no mundo todo. Exposição Rhino Ecko Toy Art  traz modelos diferentes de rinocerontes moldados em vinil e decorados por vários artistas brasileiros. São 22 modelos feitos de vinil e customizados por artistas plásticos de diferentes partes do Brasil. Entre os nomes que participam do evento, assinando as peças, estão o paulistano Ton Lo Bianco, a curitibana Priscila Gurski e o trio de cariocas formado por Luciano Cian, Arthur ‘Kjá e Max Porto. Confira, abaixo, mais alguns "rhinos"

     




sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Artesanato Pernambucano

Herdeiros de mestre Vitalino

Dizer que não há brasileiros que não tenham visto o trabalho de Vitalino é um exagero porque somos muitos e certamente há quem não teve a oportunidade de se apaixonar por uma arte tão marcante e característica mas isso não tira a força da expressão. Também é sem exagero que se pode afirmar que há no mundo pouquissímas formas de arte popular que definem tão claramente seu artista, país, região e cidade como a obra de Mestre Vitalino e seus sucessores. Nela se reconhece o Brasil. Pernambuco e a cidade pitoresca de Caruaru. E com a obra em cerâmica, inevitavelmente vem a música dos pífanos – aquela flautinha rústica de sonoridade indescritível. Vitalino fez as duas coisas.
Desde os 6 anos de idade, brincando com as sobras de barro das cerâmicas utilitárias feitas por sua família de louceiros, fazendo vaquinhas, panelinhas e outros animais, até criar sua banda de pífanos, o mestre mostrou-se um criador integrado às coisas de sua cultura regional, tornando-se conhecido e reconhecido em todo o mundo. Vitalino teve 6 filhos, os quais se dedicaram a reproduzir a arte do pai, sendo que Severino, o filho mais velho, é naturalmente o mais atuante. Vitalino manteve uma produção de milhares de peças, e a doação que fez, ainda vivo, de 250 peças ao Museu de Arte Popular de Caruaru, dá uma idéia da dimensão do quanto realizou. Sua arte influenciou diversos outros artesãos da região e ainda hoje provoca o surgimento de novos artistas interessados em aprender sua forma de trabalhar.
A obra de Vitalino e de seus herdeiros é absolutamente particular. Afora a excepcional habilidade desses artistas de dar forma ao barro, é na irredutível concentração nas coisas, gente e gestos da terra que esse artesanato ganha sua principal característica.
Aqui não se trata apenas de reproduzir no barro o imaginário ou as expressões de influência urbana, regional, como fazem os excelentes artesãos que o Brasil possui, mas, em Vitalino, sua obra é a fotografia artesanal do dia-a-dia de sua gente.
A cultura popular está toda expressa ali, como um documentário de batizados, casamentos, procissões, retirantes, cangaceiros, bumba-meu-boi, e mais de uma centena de temas que povoam seu universo e de seus filhos. Outro aspecto peculiar é a fidelidade histórica do seu povo e seus costumes. Tudo isso feito com uma ingenuidade ímpar. Própria de quem do barro faz vida com um sopro. De pífanos, é clarro.
































Cleber Papa/Fotos Evelyn Ruman
Informações arteemter@gmail.com